Resenha: Amante Libertada (Lover Unleashed), de J. R. Ward (Irmandade da Adaga Negra #9)

Imagem: pixabay

Amante Libertada (Lover Unleashed), de J. R. Ward – Irmandade da Adaga Negra (Black Dagger Brotherhood #9)

 

Payne, irmã gêmea do guerreiro Vishous, é finalmente libertada de sua mãe e se revelará uma lutadora por natureza, descobrindo sua verdadeira essência. Ao sofrer uma lesão que a paralisa, o cirurgião Manny Manello é chamado para curá-la. Embora nunca tenha acreditado em vampiros, ele será logo sugado para o secreto e perigoso mundo da Irmandade dos vampiros-assassinos e seduzido por esta misteriosa mulher que precisa salvar. À medida que Payne e Manny descobrem que têm mais do que uma ligação erótica, eles precisam enfrentar o choque entre os mundos e uma dívida de séculos atrás que será cobrada de Payne e colocará tanto seu amor como sua vida em perigo. Uma paixão arrebatadora que promete ser quente… Essa ligação erótica entre os dois universos poderá se concretizar?

Saiba mais sobre a série “Irmandade da Adaga Negra”.

Cada integrante de  “Irmandade da Adaga Negra” possui um nome que “sutilmente” faz referência a algum sentimento ou atitude. O de Payne é… penoso? Combina. A história é penosa mesmo.

Deve ser coisa de família. Assim como com seu irmão gêmeo Vishous, Payne é uma personagem com um potencial imenso, que tinha tudo para render um livro inesquecível. Uma das características mais legais da série “Irmandade da Adaga Negra” é o carinho que Ward devota a seus personagens principais, permitindo ao leitor um desenvolvimento natural de empatia.  Mas Payne foi tratada por Ward em “Amante Revelada” com um desinteresse incompreensível, fenômeno também observado em “Amante Revelado” , o livro sobre Vishous. Teria Ward escrito esse livro sob extrema pressão da editora? Seria alguma implicância pessoal com os herdeiros de Bloodletter?

Payne é uma Escolhida que passou séculos enclausurada pela mãe por não se encaixar nos moldes das Escolhidas, tendo tido pouco contato com o mundo terreno.  Após um acidente gravíssimo, Payne se recusa a receber ajuda da Virgem Escriba, e acaba sendo levada à Irmandade para receber os devidos cuidados médicos.

Como sabemos, o mundo “lá em cima” é estático, gerando uma dimensão acima do tempo e espaço. As impressões do mundo real representam, portanto, uma enxurrada sensorial avassaladora para qualquer Escolhida. De fato, Payne é, no mundo real, como uma criança pequena, não apenas pela descoberta tardia das demandas do corpo, como também por sua completa falta de contato com o mundo  devido ao longo enclausuramento. A admiração com as novas possibilidades remetem ao estado infantil do processo de descobrimento. Mas a mágica da inocência é narrada em “Amante Libertada” de maneira banal, como se esse estado representasse capacidade cognitiva insuficiente. E justamente Payne! A veia guerreira de Payne teria tudo para torná-la uma digna representante feminina nesse mundo vampiresco patriarcal onde só há espaço para o masculino, dando continuidade ao prescendente aberto por Xhex para toda uma nova ordem, para além dos estereótipos . Mas parece que Ward é tão patriarcal como seus personagens. Decepção.

Voltando ao acidente, o estado de saúde de Payne, ao chegar na Irmandade, é crítico. Ela precisa de cuidados médicos especializados, o que a médica oficial da Irmandade, Dra. Jane Whitcomb, Shellan de Vishous, não pode oferecer. Ela sugere um antigo colega de profissão do mundo humano, o Dr. Manello, que poderia tratar Payne, e se propõe a buscá-lo. E ele vem a se tornar o príncipe encantado de Payne… E aqui temos uma tentativa de repetição da fórmula utilizada com Butch e Marissa. Os elementos são descaradamente copiados. Mas se “Amante Revelado” foi “Meu Primeiro Amor”, “Amante Libertada” foi “Meu Primeiro Amor 2”, em todos os sentidos. Faltam graça, leveza, espontaneidade e, principalmente, carisma.  Mas confesso ter gostado da solução para cura de Payne: orgonomia extrem :)!

Uma trama que me chamou atenção foi a questão ética da relação médico-paciente entre Jane e Payne. Aqui Ward levanta, discretamente, a discussão da eutanásia. Mas a sensibilidade no lidar com a questão surpreende pela honestidade e verossimilidade. No mais, ao respeitar a decisão de Payne, tomada no pico mais crítico de seu estado de saúde, Jane coloca seu relacionamento com Vishous – irmão da vítima – à uma prova duríssima. É por essas e outras que não se deve misturar vida profissional com a pessoal…

Em “Amante Libertada” Ward apresenta seu novo vilão, Xcor. Embora Lash seja insubstituível,  Xcor me pareceu um personagem muito interessante, com uma dinâmica interna bem diferente, menos dicotômica e mais complexa. Em “Amante Libertada” temos uma ligação nada amigável entre Xcor e Payne. Quando o inevitável encontro ocorre, a tensão inicial promissora é rapidamente dissipada por um “blitz” desfecho que mostra, mais uma vez, como a dedicação a Payne parece “penosa” para Ward.

O enredo principal de “Amante Libertada” é, de longe, o pior de “Irmandade da Adaga Negra”, especialmente pela frivolidade dos protagonistas. O desleixo de Ward para com eles  é explícito, considerando que, principalmente Payne, tinha um potencial enorme! Mesmo nas tramas coadjuvantes não há muitos acontecimentos relevantes. No todo, um livro dispensável.

 

Clique para ver  a lista de todos as resenhas já publicadas pelo blog Madame Fufu.

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2 pensamentos sobre “Resenha: Amante Libertada (Lover Unleashed), de J. R. Ward (Irmandade da Adaga Negra #9)

  1. Sinto falta dos combates, que era um dos elementos que mais me atraía na série. Estão sendo substituídos pelas intrigas políticas entre os os que querem destronar o rei. E, cá pra nós, é um desperdício aqueles guerreiros tão vigorosos desperdiçando sua testosterona jogando sinuca na mansão. Mas achei bacana a mudança no padrão no título e na capa. Acho que a série pode atrair um público masculino maior com essa alteração.
    Em meu blog cito Wrath em uma lista de “super” heróis da literatura. Se quiser conferir. Cliquei em te seguir, mas não seis e deu certo.
    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2014/09/sete-verdadeiros-super-herois-da.html

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